quarta-feira, 18 de maio de 2011

Texto perdido da minha Varig


Acho que vou precisar desabafar... Sexta-feira, para mim não quer dizer nada... Hoje joguei tênis, bebi cerveja com amigos e reclamei da vida com minha família. Se eu fosse "normal", estaria contente com a chegada do final de semana, mas como sou tripulante de avião, esta alegria boba me parece mais boba ainda...

Gosto de levar uma vida absolutamente desregrada. Gosto de, em plena segunda-feira, ir à praia ou, se for o caso, dizer bom dia mais de quinhentas vezes num só dia. Adoro falar besteiras na terça, mas se for para eu estar no avião e servir dezenas de copos de refrigerante, lá estarei eu, feliz... Gosto de sair para dançar na quarta, pode ser em Fortaleza, Recife ou na minha terra, no Rio de Janeiro, mas, se for necessário que eu esteja uniformizado e pronto para partir na direção mais longínqua que a minha Varig puder me mandar, estarei preparado. Onde quer que eu esteja, prefiro pensar na vida na quinta e de passear na sexta. E trabalhar, trabalhar, trabalhar muito no sábado e domingo. Algo contra? É coisa de maluco?

Estão fechando a minha Varig. Como vou poder ser feliz? Como encontrarei outro emprego assim? Sei muito bem, que é uma dádiva a gente enxergar a nossa felicidade e eu sou feliz. Será que ninguém me entende? Posso estar remando contra a maré, mas meus remos são poderosos, cheios de força e coragem, sei que a minha Varig, ou melhor, a nossa Varig, a Varig de todos os brasileiros, jamais deixará de riscar os céus, porque preciso ter a certeza que meu filho irá chegar ao seu destino. Visto a camisa, por nada, por tudo, porque sou simplesmente Varig, pois é muito simples vestir a camisa, porque basta simplesmente ser brasileiro para ser VARIG.

Henrique Joriam
Achei este texto que escrevi em agosto de 2006. Que pena que não é apenas fruto da minha imaginação, aconteceu mesmo...